Manuel Maria Carrilho acusou alguns órgãos de Comunicação SociaL de exercerem um “poder opaco” e “impune”. Na apresentação do livro ‘Sob o Signo da Verdade’, o ex-candidato socialista à Câmara de Lisboa apontou o dedo à Imprensa, acusando-a de ter “substituído a verdade pela mentira intencional”.
O livro coloca então em causa jornalistas e agências de comunicação depois de António Cunha Vaz, presidente de uma empresa do ramo, argumentar que “tudo se compra”, expressão incitada por Emídio Rangel, da SIC, quando diz que: "há jornalistas que se "vendem e prostituem na praça pública' e que trabalham com avenças de agências de comunicação que tudo compram".

No livro, reafirma que: "tudo é citado, mas não falo de uma cabala, não é uma conspiração, é sim um conjunto de factores”.… "A manipulação de comportamento existe. O Jornalista não controla o que escreve, tem repercussões; é necessário aumentar a responsabilização dos que fazem jornalismo. A auto-regulação é a mais desejável, mas não a mais aconselhável", prossegue.Para ele, existem quatro soluções: os Jornalistas passarem por um registo de interesses, o largamento do registo de comentadores e analistas de televisão, Rádios e Jornais, sancionar as más práticas jornalistas e as Agências de Comunicação Social serem regulamentadas (Código de conduta e sanções claras).
Mas será que os media decidem as eleições? (…) A vida política modificou-se, passando a figurar primeiro que políticos e eleitores, jornalistas, institutos de sondagens, conselheiros políticos (spin-doctors) e agências de comunicação.Os media não estão sozinhos, nem constituem o único elemento a influir no comportamento dos eleitores nem na política. Mostrar os limites dos media não equivale a negar a sua força, mas apenas a considerá-la variável, já que certas eleições foram ganhas contra os interesses hegemónicos na comunicação social (Berlusconi, em Itália, por exemplo), por isso dizer-se que "não é a imprensa quem decide o voto dos cidadãos”.
José Carlos Abrantes, provedor do DN, também se manifesta sobre a credibilidade do jornalismo, proferindo que a mais importante será o poder das agências de comunicação. Diz que “os políticos são ostracizados pela comunicação social, se a mensagem destes é deformada e se estes têm ou não possibilidades de reagir a eventuais excessos ou "atropelos" cometidos pelos jornalistas.”
Cita ainda um leitor:“Lamento ter de o dizer, mas penso que a classe jornalística foi a mais responsável pela degenerescência e generalizada degradação ocorrida, mais ainda que a classe política. Foi, a meu ver, a mais culpada por ser a mais poderosa e omnipresente. São, as duas, os maiores agentes e instigadores da crescente perversidade que domina o país.”
É necessário então que a Entidade Reguladora da Comunicação Social faça uma investigação aprofundada sobre as relações das agências com media os jornais e os jornalistas. O jornalismo, para ser credível, precisa de voltar a ganhar autonomia e credibilidade, a sua matriz de nascença. Ou será que prefere ir, lentamente, cavando a sua própria sepultura? É esta problemática que vai aumentando a cada dia com os casos como o de Manuel Maria Carrilho e o seu Sob o Signo da Verdade e a falta de mais agências de comunicação intervenientes.
No comments:
Post a Comment